MERGULHADOR RESPONSÁVEL
Esta carta é um guia. Não é uma soma de constrangimentos.
Essas propostas devem ser encaradas caso por caso, tanto os sítios de mergulho, as situações diferem de um lugar ao outro. O seu objecto é levar cada qual a interrogar-se,
e a instaurar as condições de mergulho óptimas para uma preservação
e uma partilha justa das riquezas do mar.
1 - PREPARE A SUA VIAGEM
As agências de viagem e os centros de mergulho não oferecem todas as mesmas prestações. Alguns esforçam-se de proteger o ambiente que lhe vão fazer descobrir, e de partilhar mais equitativamente os recursos naturais com os habitantes do país de acolhimento. Isso custa-lhes caro, custa-lhe mais caro, mas, juntos, contribuirá desse modo ao desenvolvimento durável do nosso planeta. Não tenha como único critério de selecção o preço dos mergulhos.
- Escolhe uma agência de viagem que adira à uma carta ética.
- Privilegie os Centros de Mergulho Responsável que são relativos à protecção dos fundos marinhos (tratamento dos resíduos e das águas residuais, utilização de bóias de ancoradoiro) e que se investem no desenvolvimento local.
- Informe-se sobre os ecossistemas marinhos que vai descobrir.
- Informe-se sobre os habitantes do país que o vão acolher : tradições, economia, recursos
2 - ANTES DO MERGULHO
- Torne-se a pôr em forma. Se não mergulhou há muito tempo, prepare-se a gerir a sua flutuabilidade: pulmão-balastro, colete, lastrção óptimal.
- Informe-se sobre o sítio de mergulho que vai descobrir, o que tornará o seu mergulho bem mais rico. Não será assim apenas um mergulhador-espectador passivo num mundo cuja linguagem ignore, saberá ler as primeiras palavras do grande livro da vida marinha. Porque saberá identificar os animais, poderá conhecer o seus comportamentos, saberá onde procurá-los para descobrí-los. Saberá ver a incrível fauna escondida.
- Peça uma projecção-apresentação do ecossistema ao seu centro de mergulho
- Peça a lista das espécies ameaçadas, a lista das espécies protegidas, as regulamentações que lhes são relativas.
- Informe-se sobre as acções efectuadas pelo centro de mergulho em matéria de protecção do meio submarino (bóias de ancoradoiro...).
3 - NO BARCO
- Não deite nada no mar
- Recuse os pratos e taças de plástico que põem dezenas de anos a degradar-se.
- Peça a instalação de caixotes de lixo sobre a ponte para depositar as pontas dos cigarros (a sua degradação leva meses), os resíduos de plástico, as embalagens de alumínio, etc....
- Vele a fixar correctamente desentesadores de socorro, consolas e manómetros, para que não pendurem e não se prendem na flora e a na fauna afixadas que danificariam.
- Escolhe palmas curtas, pouco agressivas.
4 - EM MERGULHO
- A partir da posta em água, pense a verificar a sua lastração, e ajuste-a se for necessário
- Pense a desbastar devagar, para não chocar a vida afixada
- Evite o contacto com plantas e animais afixados. São frágeis, a multiplicação dos choques destrói-os.
- Não levante nada, excepto imagens.
- Não incomode os animais. Se refugiar-se-em no seu esconderijo, não os forçe, já estão pressionados. Espere compaciência sem se mover até que reencontram a sua calma, e que saem de novo.
- Evite de alimentar os peixes. Perverte os seus comportamentos e desequilibra o ecossistema.
5 - APÓS O MERGULHO
- Esforce-se em economizar a água doce. É o bem o mais precioso
- Peça instalações que evitem o desperdício da água doce : pia para enxaguar para os equipamentos, chuveiros com débito controlado.
6 - DURANTE A ESTADIA
- Não hesite em sair do centro de mergulho, do hotel : Há tudo à volta, um mundo que espera encontrá-lo
- Não compre lembranças arrancadas ao mar dente de tubarão, barbatanas de tartaruga, estrela de mar, hipocampo e outros peixes secados, coral, conchas.
- Boicote os restaurantes que servem sopa de barbatans de tubarão, carne de tartaruga e de cetáceos, bem como peixes capturados por meios destrutivos (dinamite, cianeto, etc...)
- Peça nos restaurantes como é que são pescados os produtos do mar que propõem, e quais são os acordos que têm com os pescadores locais.